A implantação de microssistemas de abastecimento de água, executada pela Secretaria de Estado das Cidades e Integração Regional (Secir), já começou em dois municípios do interior do Pará: Juruti e Terra Santa, ambos no oeste do estado. O trabalho garantirá que famílias que nunca tiveram acesso à água potável passem a usufruir do serviço, impactando diretamente na saúde e na qualidade de vida dos moradores.
Em Vila Souza, comunidade no interior de Juruti, o servidor público Bineu Souza, de 36 anos, relata que o abastecimento de água sempre foi um desejo antigo dos moradores. Vivendo há 24 anos no local com a família, ele conta que, nos últimos 14 anos, contavam com um poço provisório que frequentemente apresentava falhas:
"Aqui a gente tem um poço, com uma bomba que funciona a diesel. Por sinal, hoje, ela já deu problema. E nessas horas a gente fica esperando o conserto, fica sem água mesmo", descreve.
Situação semelhante é vivida na comunidade Jauaruna, em Terra Santa, onde muitos moradores nunca tiveram sequer a experiência de tomar banho de chuveiro. O prefeito Edson Fonseca destaca:
"As famílias sofriam bastante com a seca. Não tinham água. Temos moradores que nunca sequer tomaram banho de chuveiro. Mas, graças ao nosso bom Deus e ao deputado Priante, que destinou uma emenda à Secretaria das Cidades, representada pelo engenheiro Luiz Frazão, hoje podemos contar com um microssistema para atender sete famílias, podendo se expandir para mais. Essa é uma luta antiga, mas agora vai ter água para o nosso povo", celebra.

Água é dignidade
A secretária de estado das Cidades, Fernanda Paes, explica que a escolha dos locais para a implantação dos microssistemas de abastecimento levou em conta o mapa da estiagem no Pará: "São municípios que, durante o período de verão, sofrem com a seca. Então eu faço sempre questão de pontuar que essas obras não são apenas um serviço qualquer que chega até as pessoas, mas uma questão de dignidade. Água é dignidade, sem falar da questão da saúde: pela primeira vez essas pessoas terão água tratada e isso é fundamental", enfatiza.
O engenheiro Luiz Frazão, fiscal das obras pela Secir, detalha que os microssistemas são planejados para atender à população atual, mas com capacidade de ampliação para acompanhar o crescimento das comunidades:
"Em Terra Santa, por exemplo, um sistema de tratamento de água que vai fornecer água para 180 pessoas e futuramente pode chegar até 270 pessoas. É um equipamento que vai produzir 15 mil litros de água por hora, com um poço de 100 metros de profundidade. Vai ter um reservatório elevado de 10 mil litros para atender essa demanda", descreve o engenheiro.
Além de expansivo, os sistemas de abastecimento também são sustentáveis, pois não utiliza energia de fontes poluentes, como o diesel, comumente utilizado por moradores para operar motores de bombas d'água, conforme explica Frazão:
"Ele não faz uso de energia elétrica, funcionando totalmente a partir de energia solar, sem emissão de resíduos. É um sistema inovador que, não tenho dúvidas, vai ser uma mudança muito importante para essa população. Além disso, o sistema todo é hidrometrado para que eles mesmos possam identificar o consumo que estão tendo. Com isso, a gente vai melhorando a vida desse povo".

Investimento pelo Pará
Além de Juruti e Terra Santa, outras 15 cidades paraenses receberão o projeto, chegando a alcançar mais de 50 localidades e um total de aproximadamente 3 mil famílias. Em 11 municípios, serão implantados microssistemas de abastecimento em formato de chafarizes comunitários, oferecendo pontos de captação para uso coletivo. Em outras seis localidades, serão construídos sistemas de abastecimento completos que levarão água tratada diretamente às residências.
As obras são fruto do investimento de R$ 49,7 milhões, oriundos do Novo PAC, assinado pelo Governo do Pará e o Ministério das Cidades. Os projetos também estão alinhados ao novo marco legal do saneamento básico (Lei nº 14.026/20). A legislação estabelece metas para a universalização dos serviços de abastecimento de água e tratamento de esgoto em todo o país, incluindo o objetivo de garantir, até 2033, que 99% da população brasileira tenha acesso à água potável.